Os bastidores do 1.º ciclo do Business Simulator: números, falhas e lições

Vou ser honesto: o primeiro ciclo do Business Simulator não correu como planeámos. Correu melhor em alguns aspetos e pior noutros. Este artigo é a nossa prestação de contas — sem filtros, sem marketing.
Os números
- 87 candidaturas recebidas
- 15 participantes selecionados
- 12 completaram o programa até ao final
- 3 projetos saíram com tração comercial real
- 1 projeto recebeu financiamento semente
Uma taxa de conclusão de 80% num programa intensivo de 3 meses, com jovens sem experiência prévia em negócios. Estamos satisfeitos? Sim. Estamos contentes? Não. Porque os 3 que desistiram ensinaram-nos mais do que os 12 que ficaram.
O que falhou
A comunicação inicial foi fraca. Nos primeiros 15 dias, alguns participantes ainda não tinham clareza total sobre o que se esperava deles. Assumimos que a motivação substituía a orientação. Erro nosso.
O ritmo era demasiado intenso para alguns. Pedimos entregas semanais a jovens que, em muitos casos, nunca tinham tido um deadline profissional real. A transição de "aluno" para "executor" é mais brutal do que imaginávamos.
Subestimámos o lado emocional. Ter a tua ideia desconstruída por mentores em frente aos teus pares é desconfortável. Precisávamos de mais suporte psicológico e espaço para processar esse desconforto.
Os 3 que desistiram ensinaram-nos mais do que os 12 que ficaram.
O que superou as expectativas
A qualidade das ideias. Esperávamos projetos genéricos. Em vez disso, recebemos soluções para problemas reais e locais: gestão de resíduos em mercados informais, microcrédito para vendedoras ambulantes, plataformas de tutoria entre estudantes universitários.
A rede que se formou. Os 12 finalistas não são apenas "ex-participantes". Tornaram-se numa micro-comunidade que se apoia mutuamente, partilha recursos e continua a reunir-se mesmo após o fim oficial do programa.
Lições para o 2.º ciclo
Vamos reduzir para 12 vagas. Vamos adicionar uma semana zero de imersão antes do programa formal começar. Vamos ter um mentor dedicado ao bem-estar emocional dos participantes. E vamos ser ainda mais exigentes na seleção — porque percebemos que a qualidade do grupo define a qualidade da experiência.
Se queres fazer parte do próximo ciclo, prepara-te. Não procuramos CVs bonitos. Procuramos fome.

